QUAL CURSO ESCOLHER? | Psicologia

14.10.16


Essa entrevista faz parte do projeto Qual Curso Escolher?, que tem por objetivo ajudar você que ainda não escolheu uma graduação para chamar de sua, ou que já escolheu, mas que não está satisfeito com a escolha. O projeto é composto por várias entrevistas com acadêmicos de diversos cursos de graduação. Para saber mais sobre o projeto, e ler outras entrevistas, é só clicar AQUI.

Acadêmica: Ana Marlise Scheffer de Souza
Idade: 24 anos
Curso: Psicologia
Fase: 8ª
Instituição: UNESC

Porque que você escolheu fazer Psicologia?

A pergunta clássica [risos]. Então, eu escolhi a Psicologia para conseguir entender mais o universo da mente humana. No início foi mais ou menos por esse viés que eu fui assim. Saber porque as pessoas escolhem e tem percepções diferentes, o que a Psicologia faz nisso, e também por não me achar em nenhum outro curso. Eu fiquei um pouco em dúvida entre Psicologia, e Publicidade e Marketing (algo que eu queria também). E daí como não tinha na minha cidade o curso de Publicidade e Marketing, e eu também teria que estar em uma cidade grande para poder ter campo de trabalho, acabei optando pela Psicologia. Comecei fazendo bem poucas disciplinas e fui, fui indo aos pouquinhos. Comecei o curso lá na ULBRA [Universidade Luterana do Brasil], e vim para cá depois. Aí agora eu vejo assim, que eu gostaria de ter feito Publicidade e Marketing também entende. Acho muito, muito rico o que a Publicidade e Marketing faz. Ela conquista as pessoas né. Ela sabe como conquistar, sabe como articular. Só que eu também gosto da área da Psicologia, e agora eu estou me encaminhando para um rumo que me dá acesso também a um pouco de marketing entende. Que seria o coaching em Psicologia né. Aí tu trabalhas com coaching, com desenvolvimento de pessoas e tem um marketing por trás disso também. O coaching é o que mais me encanta nessa área, puxa mais para o marketing, desenvolvimento de pessoas, e tudo o mais. Também gosto bastante de Psicologia Corporal, que são técnicas maravilhosas para terapia. São muito expressivas, muito rápidas né, de acesso bem rápido. No início [do porquê da escolha] foi isso assim, foi mais pelo conhecimento da mente humana, e também por não gostar de matemática [risos].

E o que te faz a creditar que esse é o curso certo? Ou que você está indo no caminho certo?

A percepção de mundo que eu tenho hoje é totalmente diferente da visão que eu tinha de quando eu ingressei no curso. Muito diferente! Tu saber que tu tens que entender as pessoas, que tu tens que respeitar elas, não importando a opinião delas, tu saber que a Psicologia é fascinante mesmo assim. Ela consegue olhar o outro de uma forma diferente do que as pessoas comuns olham. Não que as pessoas comuns não sejam pessoas maravilhosas, mas o olhar de quem faz Psicologia geralmente é mais voltado: “a pessoa está fazendo isso”, mas porque que ela está fazendo isso? O que tem na história dela que levou ela para isso? “Ai, ela poderia ser uma pessoa diferente”, mas porque que ela não foi? É mais ou menos nesse sentido assim. Vejo que a escolha da Psicologia me dá uma noção assim de intender o outro sabe. Uma coisa que não é tão comum né. Não que eu consiga fazer isso tá. Não é uma coisa “ah, eu consigo fazer isso”, muitas vezes não consigo. Com as pessoas da família a gente não consegue né. Mas quando eu vejo alguém de fora, muitas vezes a gente fica assim: “ah porque a pessoa fez aquilo? Bah que droga! ” Ai depois você pensa: “tem algum motivo”. “Ela fez por causa de alguma coisa”. “Tem algo na história dela que a levou para aquele caminho”. “Quantas coisas ela já passou? ”. Assim como já passamos por várias coisas que nos levaram até onde a gente está hoje. Talvez as escolhas delas não foram as melhores né, e é isso que me fascina. Saber que dentro da Psicologia tu pode ter esse olhar diferenciado para as pessoas, e poder, acreditar na ... como é que é a palavra? Acreditar num ... numa mudança mesmo assim sabe. Uma mudança de comportamento, de visão, de percepção, de vida do ser humano. Mais ou menos isso.

E ao entrar no curso, tu tinhas muitas expectativas? Se sim, quais eram?

Tinha! Eu achava que o curso era totalmente diferente do que é [risos]. A primeira disciplina que eu fiz foi Morfofisiologia do Comportamento Humano. E eu achei assim: “nossa! Eu vou estudar todo o comportamento humano. Meu deus! Eu vou saber porque que a pessoa faz isso aqui”. A minha ideia era isso assim. Aí eu cheguei lá e era anato, Anatomofisiologia. Estudar o corpo humano, o cérebro, um monte de coisa chata de Biologia. Pensa na frustração né! Fui com uma expectativa assim, que era uma coisa, cheguei lá e não era nada daquilo. Mas assim, eu não desisti porque era o curso que eu mais me identificava e tinha onde eu morava. E várias vezes eu pensei em desistir. Quem realmente passa por muitas dificuldades no curso, sabe que muitas vezes vai ter momentos em que terá vontade de desistir. Eu quis trocar para moda por que tinha lá, porque eu gosto muito de moda também. Mas não é algo que eu gostaria de trabalhar sabe. Aí pensei em trocar várias vezes, porque as dificuldades são muitas né. Tu sempre vai com uma expectativa né, e essa expectativa faz tu te frustrar, porque ela nunca vai ser como tu imaginou. Nunca! Então foi aí que eu me frustrei. Várias disciplinas do curso eu também não gostei. Nossa, disciplinas muito chatas!

Sempre tem!

Sempre tem! E até hoje tem ainda. Meu Deus! Para que isso? Mas é da grade né. Tu precisas passar por aquilo ali. Tem outras disciplinas que são maravilhosas, que eu não consigo perder uma aula. Mas tem umas que não, não vai. Minhas expectativas eram essas, a de esperar encontrar uma coisa, e ser outra [risos].

O que difere a Psicologia dos demais cursos?

Acho que a forma de ver da psicologia. É como eu tinha te dito antes ali. A visão de mundo que a Psicologia te dá né, a visão diferenciada que ela te passa. Acho que isso. Tem tanta coisa na Psicologia [risos].

E como é a tua vivência enquanto acadêmica de Psicologia?

Eu não sou uma pessoa assim, super dentro de todas as coisas do curso né, aquela pessoa que tem tempo disponível para participar de tudo. O que seria muito importante e muito rico, mas tudo o que eu posso participar eu geralmente participo. E quanto a minha vivência aqui na instituição eu considero boa. Acredito que o curso me dá muito suporte sabe, e acredito que ele deveria aliar [esse suporte] com uma psicoterapia também. Deveria ter no curso, algo tipo, como na grade, de todo o semestre ter psicoterapia para os acadêmicos. Porque tu vê muita coisa, tu passa por muita coisa.

No caso, a psicoterapia não como aula, mas sim como apoio para o estudante?

Aham, isso!

E com relação ao mercado de trabalho, em quais áreas tu vais poder trabalhar tendo como diploma Psicologia?

Ah, e agora?! São muitas [risos]. Em clínica, empresa, instituições sociais como o CRAS, CREIAS, CAPS, no sistema de saúde, o SUS, hospitais, em... meu Deus, muita coisa! Tu querias todas as instituições ou as áreas mesmo?

As áreas.

Eu pelo curso aqui, faço escolar. Tu podes atuar em escolas, em empresas no organizacional, no social em instituições sociais, e o clínica né, que daí te abre um leque de abordagens. Tu vais poder escolher qual abordagem que tu queres. Psicanálise, sistêmica... E no social tu não vais trabalhar em uma clínica, tu vais trabalhar só com algumas coisas da social e aliar com outra abordagem. Ou tu vais ir para uma psicoterapia corporal, ou outras terapias holísticas né, que não são da psicologia em si, mas que tem um fundo também. E tem mais, tem mais. É bem difícil a pessoa que não vai se encontrar em nenhuma área sabe. Só que ao mesmo tempo também é muita opção, e as vezes tu gosta de uma, duas ou três, e aí? Aí tu ficas meio dividido [risos].

E no mercado de trabalho, tem bastante concorrência? Ou tem lugar para todo mundo?

Eu não sei te dizer, porque eu não fui ainda para essa área de mercado de trabalho. Só faço os estágios né.

Aham!

E as vezes é bem complicado para conseguir estágio. Isso que o nosso estágio é gratuito né. Eu faço estágio não obrigatório, obrigatório quer dizer [no estágio obrigatório o estagiário não recebe salário]. E mesmo assim, as vezes já é difícil de tu encontrar. Mas sempre vai ter algum lugar que vai precisar. Todas as empresas na verdade precisariam né. A questão de RH, que tu podes trabalhar no recrutamento e seleção, e também na consultoria. Eu acredito que tem bastante. É um ambiente de trabalho bem aberto, mas depende do que que tu vais trabalhar sabe. Se tu for trabalhar com clínica, no início não vai ser tão fácil né, só se tu já entrar em uma clínica que está pronta. Agora, se tu criar a própria clínica não vai ser fácil, porque não vai ser barato né, e também não vai ser fácil de tu ter clientes porque ninguém te conhece ainda. Ninguém sabe como que é a tua forma de trabalhar.  Não tem ninguém para te indicar ainda, e a gente sabe que o sistema vive de indicações. Eu digo: “ah, eu fiz tal trabalho com tal pessoa, e foi bacana e tal”. A pessoa vai te indicar! E tem outras áreas que não. Nas empresas eles sempre precisam, e lá talvez tu consigas ingressar mais rápido. Geralmente no estágio do organizacional tem muita gente que faz, e que já fica na empresa. Então eu acredito que o organizacional é uma das áreas que mais te dá acesso. Eu acho assim que depende muito do profissional que vai estar atuando. Se tu já tens uma bagagem bem boa na tua universidade, e também quer ser mestre, quer ser professor, já fez toda uma bagagem durante a graduação, vai chegar lá no final com uma bagagem enorme. Vai se diferenciar das outras pessoas! Se quiser fazer uma residência multiprofissional tu tens que ter feito um monte de pôster, de artigos. Tem que ter participado de várias coisas. Então tu vais sair na frente das outras pessoas. Afinal, tu se dedicou, e já começou focado naquilo. Acredito que tudo exige muito foco, e as vezes a gente não sabe bem o que escolher né. Aí chega no final do curso e não sabe ainda o que que vai fazer, porque é muita coisa mesmo, mas é bom porque te dá um leque bem aberto. É como tudo na vida, um lado é bom e o outro lado nem tanto.

E qual conselho que você dá para aqueles que estão pensando em cursar Psicologia?

Gente, o conselho é: só fazer Psicologia se acima de tudo tu amar muito o ser humano. Se tu conseguir saber que tu tens capacidade para amar o outro ser, na condição que ele esteja. Qualquer condição que ele esteja! Que tu vais saber entender ele, e que tu quer entender ele. Talvez tu não entenda agora, mas que tu queira entender ele, os motivos que o levaram a estar assim, toda a história de vida dele, toda a personalidade dele. Amar muito, muito! Se tu não tem amor pelo ser humano, pelo outro, se tu não acredita na capacidade dele de querer mudar, é bem difícil que tu vai se achar na Psicologia. Tu tem que gostar de se relacionar com as pessoas né, tem que ter essa percepção. Eu acredito mais nisso assim.

Então o conselho seria esse: amar muito o ser humano e não julgar!

Não julgar! Por mais que seja bem difícil né, mas, diferenciar de tu julgar quando tu está em um ambiente que não é o teu profissional. Claro que sempre vai acontecer, a gente sempre julga né. Muitas vezes a gente acaba julgando sem querer. É natural do ser humano. Mas quando tu está no teu ambiente de trabalho, e a pessoa fala para ti: “ah, sabia que eu matei uma pessoa hoje”, você tem que falar: “é, o que que te levou a fazer isso?”. E não: “ah, meu deus, não acredito! Vou chamar a polícia”. Não é assim entende, ele está te contando um pedaço da história dele, está confiando em ti. Daí tu vai simplesmente julgar? Assim tu não cria elo, não cria uma relação de confiança que precisa ter com o paciente. Então tu tens que saber ter essa noção assim. Não é fácil! Não é nem um pouco fácil! É só a gente se colocar no lugar do outro que a gente pensa né [risos]. Esses dias até uma professora comentou isso, daí eu fiquei assim “bah”, né, a pessoa te conta uma coisa dessas, e tu tem que ficar assim. Não fingir que tu achou que aquilo não é nada, mas também não te apavorar né. Porque muitas pessoas vão te contar coisas horríveis que elas fizeram, e tu vais pensar: “meu Deus! Como ela fez isso?”. Tu tens que entender o porquê dela fazer aquilo e não simplesmente julgar como as outras pessoas fazem. Porque se fosse para ele ir em uma psicoterapia onde seria julgado, ele iria falar com qualquer pessoa. Um amigo, um parente... qualquer um ajudaria ele. E não iria lá em um psicólogo, em alguém que tem uma formação. Essa é a diferença assim que eu vejo que a gente tem que ter.

As perguntas são essas, obrigada!

Essa foi a entrevista de hoje. Um pouco extensa, mas cheia de informação <3 Muito obrigada Ana por ter aceitado participar do projeto aqui do blog. E para quem quiser saber mais sobre o projeto QCE? é só clicar AQUI, e para ler a entrevista de sexta passada sobre Administração com habilitação em Comércio Exterior, AQUI.

Ainda ficou com dúvidas? Deixe a sua pergunta nos comentários que vou responder com muito carinho. Ah, e se quiser conhecer outro curso é só comentar aí embaixo qual o próximo curso que você gostaria de conhecer do ponto de vista de um acadêmico. Até a próxima pessoal, beijos <3

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3 comentário(s)

  1. Eu estou no sétimo período e me sinto exatamente como ela! As expectativas em relação ao curso, e a GRANDE mudança em relação a visão de mundo que a gente tem... Me sinto outra pessoa depois do curso. Sei lá, parece que você desenvolve mais empatia, respeito pelas pessoas. Você vê um monte de gente fazendo cada merd@ e enquanto a maioria das pessoas estão julgando e vendo a pessoa como "ruim" ou "má", você apenas pensa que ela tem uma justificativa pra fazer o que fez. E eu tive uma matéria no primeiro período que era "análise do comportamento" ou "análise experimental do comportamento" e eu fui logo imaginando que era uma lista de comportamentos e significados (coisa bem de filme mesmo, tipo, se a pessoa fez isso é porque ela é assim, se fala dessa forma é porque pensa isso). Tem NADA A VER. Aliás, hoje eu desconfio de qualquer teoria que tente fazer isso, comportamento humano é complicado demais.

    A unica diferença talvez é que eu não pretendo seguir como psicóloga. Não sei como vai ser no fim do curso, mas tive uma decepção imensa em relação a profissão. Estou considerando ate fazer segunda graduação e ir trabalhar em outra área. Espero me resolver quanto a isso, e se seguir a profissão, que seja porque voltei a gostar.



    Enfim, caí de paraquedas aqui no seu blog Jenni, vim lá do blog da Lominha (um comentário seu por lá), e gostei bastante. Parabéns pelo trabalho!

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    1. Obrigada por deixar aqui a sua visão sobre o curso de Psicologia <3

      O ser humano em si é algo bem complexo né? Faço faculdade de História, e na 2ª fase tive a matéria de "Psicologia da Aprendizagem", e através dela pude conhecer um pouquinho melhor o porque de determinadas ações humanas. Espero que você se encontre no seu curso!

      Ah, e fico muito feliz em saber que você conheceu o VP por causa de um comentário meu lá no Sernaiotto <33

      Muito obrigada pela visita, volte sempre!

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