Uma vida para além da minha casa de carne e osso

26.12.18

                                               obs: texto escrito um dia depois de ter entregue o antepenúltimo trabalho acadêmico do semestre, uma semana antes de pegar as minhas tão aguardadas férias 


Eu não tenho estado nos meus melhores dias.  E tive ontem a pior crise de ansiedade que eu já senti na vida. Não sei onde tudo vai parar. Cada vez que me peso a balança me mostra mais leve. Mas não sinto toda essa leveza por dentro. Muito pelo contrário, me sinto a cada dia mais pesada no meu interior. Eu sei que no fundo eu só preciso de férias para me ver livre de tudo isso. Minha rotina suga todo o meu emocional, e às vezes o que resta no final do dia não é o suficiente para mim.

Preciso lidar com a falta de vivacidade interna diariamente, e isso está me matando por dentro. Sim, eu tenho feito terapia. Acompanhamento psicológico ou como você quiser chamar. Mas isso não resolve tudo. Resolve apenas uma parte do problema, metade dele eu diria. Pois desde que iniciei os meus minutos semanais de conversa e diálogo com quem entende do assunto, tenho conseguido melhorar em alguns aspectos. Tenho me encontrado e me descoberto. Tenho me conhecido mais a fundo. Não tem sido um caminho fácil olhar para dentro do meu eu e fazer a faxina diária de coisas que preciso mudar de lugar e/ou acrescentar. Mas como eu disse: isso não é tudo! É somente parte do processo.

Minha vida vai além da minha casa de carne e osso. Ela se estende para além dos mundos do meu cérebro e das paredes do meu coração. Ela se choca com outros universos, com novos conhecimentos, novas realidades e com a minha rotina de trabalho/universidade/estudo diário em casa (até porque a vida universitária vai além das quatro paredes de uma “simples” sala de aula). É difícil lidar com tudo isso, e a bagunça está gigantesca. Às vezes em menor ou maior proporção. Eu sei do quanto eu sou privilegiada por uma série de coisas, e de verdade, sou muito grata por tudo isso. Porém, como eu disse: isso não é tudo!

A pressão tem me feito sentir. E sentir muito! Sentir coisas das quais eu nem precisaria, mas mesmo assim, sinto! Eu sei que está doendo agora, mas que amanhã ou depois vai parar. Mas em vez de me dar paz, isso só me deixa ainda mais ansiosa pelo amanhã, pois o quero logo. Viver o hoje ansiando pelo amanhã, ou viver o hoje ansiando pelo ontem, não faz bem, pois em ambas as situações você não realmente vive. Somente existe! E somente existir não agrega.

Vivo uma vida baseada em não querer somente existir, porém, é exatamente isto que faço: somente existo. Quero viver de verdade e com intensidade, mas ainda estou dando os meus primeiros passos, e espero que em breve eu já saia correndo por ai pronta para levar os meus primeiros tombos, para em seguida me levantar e continuar correndo novamente, pois tudo faz parte da experiência do viver. E eu quero isso: viver! Aos poucos eu aprendo, prometo, mas enquanto isso não acontece, eu escrevo. 
Espero não entediá-los. 

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